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24
Out

Do topete psicopatológico

por mariana pessoa

Talvez Daniel Oliveira ache que os outros não têm memória.

Talvez Daniel Oliveira considere que, no meio dos gestos apopléticos com que sempre acompanha os seus dichotes travestidos de comentários, as pessoas se percam naquilo que afirma. E sempre - sempre - tão peremptoriamente. 

 

Talvez por isso não tem qualquer pejo, em 2013, em distanciar-se daquilo que ele considera ser "O ódio a Sócrates". A sonsice descabida que hoje apresenta roça o topete psicopatológico.

 

Não é nada de novo, no entanto.

Como Valupi, do Aspirina B, tem notado ao longo dos tempos:

 

"O Daniel foi um dos puros e verdadeiros esquerdistas que alinharam nas campanhas de assassinato de carácter contra Sócrates gizadas na Lapa e em Belém. Juntou-se animado ao coro dos que berravam a toda a hora ser Sócrates um mentiroso pulsional e impenitente. Chegou ao ponto de o carimbar como o pior primeiro-ministro da História, ou segundo pior (foi evoluindo, reconheça-se). Onde é que isso já vai? Vai e vem. Repare-se como no final de Julho de 2013 estamos outra vez perante um exercício nascido do ódio. A equivalência entre Sócrates e Passos é estabelecida como verdade indiscutível, sem ser necessário gastar uma caloria a demonstrar a paridade. Ora, Passos abriu uma crise política e fez uma campanha eleitoral que afundou o País neste abismo, tendo mentido de todas as formas e feitios no processo. A mentira no trajecto de Passos e do seu PSD não é apenas um fenómeno cuja ocorrência, densidade e consequências não têm paralelo com nada que tenha sido registado em democracia; a mentira foi – e é – também a condição sine qua non para a conquista e exploração do poder. Como é que Sócrates compara com Passos? Mentiu mais? Mentiu o mesmo? Mentiu metade? Mentiu um décimo? Quais são, afinal, as infames mentiras desse celebérrimo mentiroso? Deviam ser fáceis de listar, por alegadamente serem tantas e tão graves, certo? O facto de ninguém o fazer, nem sequer à direita, é apenas a ponta do novelo."

 

Mais do lago de inconsistências onde Daniel Oliveira chafurda aqui ou aqui ou ainda aqui.

 

Tem dias em que Daniel Oliveira não é nada mais nada menos que o José Gomes Ferreira da esquerda, daí não me surpreender a simpatia granjeada, incluindo no PS. Abusando, mais uma vez, da expressão de Valupi, o que vale é que na cabeça desta gente Daniel Oliveira "Não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco". A simpatia que lhe dedicam dá para o benefício da dúvida, resultando num infantilizante "O Daniel Oliveira é apenas um extraterrestre que aterrou na política portuguesa no dia 3 de Maio de 2011 à tardinha". Para mim Daniel Oliveira é, efectivamente, um idiota, um demagogo e um hipócrita. E sofre de topete psicopatológico. As melhoras.

 

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4 comentários

De maria a 25.10.2013 às 01:46

Sou obrigada a dar-lhe razão!

De mariana pessoa a 25.10.2013 às 16:33

maria,
não quero que seja obrigada a nada :) mas fico grata com a sua concordância

De jose neves a 25.10.2013 às 15:14

Nem mais, quase perfeito com a ajuda do Valupi.
d.o., veja-se-o entre o grupo de pândegos do eixo-do -mal, que não fazem mais nada que um pleno exercício de auto-exibicionismo de suas auto-suficiências. Esta maltosa pandega, tal como os manos gémeos da tvi, que têm uma certeza crítica própria auto-suficiente e auto-justificada apenas pelo seu pedante exibicionismo de fedorentos humoristas figurantes a soldo de pt. balsemão e belmiro e outros eventualmente são, por exclusão de partes, os únicos com visão política capaz de resolver os problemas do mundo.
O d.o. não passa do reverso do mesmo medalhão de lata em que o verso é o pimpão brilhantinoso do 'inimigo público'.
Os rapazes não têm nada, mesmo nadinha a ver com o engano que levou os portugueses a irem votar contentes em passos coelho em nome da salvação da pátria.
Coitados e ingénuos, eles só queriam alertar os portugueses para o mal horrível para o povo que era ter um bandido como Sócrates como 1º ministro.
Quem os conhece bem vende-os a pataco.

De mariana pessoa a 25.10.2013 às 16:36

É boa a descrição que faz do eixo do mal. Temo apenas tal ser injusto para com o Pedro Marques Lopes que, sendo de direita (daí a minha opinião ser insuspeita), faz um esforço vertiginoso para ser coerente. A Clara Ferreira Alves oscila entre o taxismo primário e uns laivos (cada vez menos frequentes, é verdade) de lucidez. Acho que é de ver o Eixo do Mal cada vez mais como stand up comedy.

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