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Não discuto se essa perceção é justa ou injusta mas constato. Para mim a resposta é linear: José Sócrates. 

E se não me engano nessa análise, o pior que o PS pode fazer para dificultar a sua própria afirmação como alternativa é ter este seu ex-lider a comentar as aberrações e sacanagens propostas pelo atual governo. Este facto, este protagonismo, que não será (nem tem de ser) controlado pela direção do PS, objetivamente faz mais pela não descolagem do PS nas sondagens do que o ar mais ou menos ensosso de Seguro que tantos fazem questão de apontar.
Não disputo que Sócrates tem o direito, sublinho apenas as consequências. Parecem-me óbvias e indesejáveis do ponto de vista do PS.
Convém também sublinhar que há muito tempo defendo que há uma lacuna interna no PS (com responsabilidades partilhadas por todos) quanto à ausência de um balanço sobre a última governação do PS. Um balanço que permitisse defender com particular empenho aquilo que se deve sublinhar e rever o que se fez de errado. Não havendo a perceção desse exercício, e com isso sendo difusa a defesa do que foi bem feito, talvez Sócrates se tenha sentido particularmente legitimado para a auto-defesa. Contudo, o que sublinho hoje é mesmo a consequência de toda esta cadeia de eventos. Ter Sócrates como um dos principais protagonistas do PS (e dos que alcança maior notoriedade pelo espaço que lhe é dado - em canal aberto, prime-time) a fazer a crítica ao atual governo é de doidos em termos de acuidade política. O governo atual agradece.

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10 comentários

De Valupi a 13.10.2013 às 22:38

Rui, para além da interessante questão de se calcularem os benefícios ou prejuízos da presença de Sócrates como comentador (por exemplo, eu alinho com o António Costa quando este disse que estranhava tal exercício neste tempo ainda tão marcado pela sua governação e liderança do PS), gostava que apresentasses a tua opinião acerca "do que se fez de errado" sob o comando do animal feroz.

Força nisso, dá tu o exemplo e abre lá o livro.

De Rui Cerdeira Branco a 13.10.2013 às 22:45

O(a) Valupi está muito mais atento do que eu à governação anterior. Não tenho a mínima dúvida quanto a isso. Podemos fazer ao contrário? Ou seja, além do único erro reconhecido publicamente por José Sócrates( o de ter aceite governar em minoria), das várias políticas seguidas e ações concretas onde acha mais se deve melhorar numa futura governação do PS?
Interessa-me muito pouco personalizar este tipo de balanço, apontar o dedo a ministros e coisas do género. Interessa-me muito mais ponderar sobre cada política e também sobre os instrumentos/procedimentos políticos utilizados para as implementar e comunicar. E claro, do mesmo modo, quais as políticas que de forma mais evidente devem ser continuadas sem grande reparo. Desconfio que um eventual debate seria mais proveitoso se começassemos assim, de que se fosse eu a dar o arranque... Que lhe parece?

De Valupi a 13.10.2013 às 22:59

Parece-me mal. Por estas razões:

- Que história é essa do "O(a) Valupi"?

- Que história é essa do tratamento por você?

- Que história é essa de dizeres que estou muito mais atento à governação anterior do que tu? Como é que chegaste a essa conclusão, ou a essa descoberta, ou a esse resultado?

- Que história é essa de pedires por escrito que se faça um balanço dos erros passados e depois, perante um repto directo para apresentares alguns, anunciares que te recusas a "personalizar este tipo de balanço, apontar o dedo a ministros e coisas do género"? Então, como seria o tal balanço que pedes? Não haveria nomes, o pessoal falava por metáforas e códigos alfanuméricos?

Estás-me a surpreender. Estás, estás.

De Rui Cerdeira Branco a 13.10.2013 às 23:42

Não faço ideia de quem sejas pessoalmente. Honestamente não sei se és menino ou menina. Conhecemo-nos? Se calhar sim, mas não que eu saiba. Confesso que nunca tentei saber quem eras. Mas adiante. Isso é relevante?
Vê o exemplo do que fez o PSOE e que já deixei noutro comentário. Era impossível por cá?
Quando referi explicitamente que não me interessa personalizar fi-lo porque é habitual nesta terra confundirem-se pessoas com políticas. É uma bela forma de não se discutir nada e de terminarmos em trincheira. Aliás, mais do que uma vez quando este tema já veio à baila me perguntaram se queria uma caça às bruxas, assim, logo a abrir, como primeira reação. E não acho mesmo fundamental. Pode decorrer da discussão, não a deve fundar. Mas já que recusas o repto posso recordar alguns dos exemplos que não achei felizes e que talvez encerrem algumas indicações úteis para o futuro..

1) As prioridade definidas na austeridade por exemplo. O opção por fazer entrar logo nos primeiros pacotes de austeridade a imputação de rendas por conta dos apoios sociais em espécie de que beneficiavam alguns dos mais desfavorecidos da nossa sociedade achei chocante. Uma mensagem que o PS nunca devia ter dado. Em particualr por não apresentar o contra ponto no extremo oposto da distribuição de rendimentos. Veja-se a não imputação de remunerações em espécie ao rendimento de altos quadros, por exemplo (que só agora começa a ser referenciada). Foi simbólico, da pior forma.

2) A incapacidade de perceber a tempo a dimensão da crise e da armadilha em que estavamos enfiados também marcou a governação pela negativa. Talvez por deformação profissional (sou economista) tudo me pareceu mais óbvio antes do tempo político em que foi assumido.
A gestão de expectativas não foi de todo a mais feliz e a leitura da nossa fragilidade também não. Correram-se riscos políticos enormes que resultaram na perceção de que reinava a mentira sucessiva. A preparação do eleitorado foi péssima. O mundo mudou sim, mas foi mudando e teriamos ganho em ter um governo com uma atitude mais humilde e mais franca perante o eleitorado. Quando tudo correu mal (com o belo empurrão da coligação negativa) foi muito difícil denunciar essa mesma coligação de forma credível.

3) Alguns erros políticos de palmatória durante a implementação de algumas das políticas chave a nível setorial: na saúde recordo-me de alguns encerramentos de serviços (serviços de emergências, CATUS, centros de saúde que forma desqualificados na oferta) terem antecedido a oferta que os iria suprir (VMER, centros de saúde) gerando um alarme social rapidamente aproveitado que fragilizou o ministro. Na educação, foram mais os problemas de processo político do que de conteúdo das políticas, mas acabaram por se revelar desatrosos. Conseguimos a hostilização generalizada. Há muito a aprender por aí sobre como lidar com este ministérios e os seus atores no futuro. Tal como há muito do que se começou que pode e deve ser retomado feito esse ajuste na praxis.

4) A incompetência na gestão orçamental em 2010 também foi uma má hora. Foi um prenúncio do que hoje é corriqueiro com o atual governo. Deve haver algo que se possa aprender com o que se passou nesse ano. A execução orçamental falhou e em parte também por culpa das escolhas de casting em áreas chave.Talvez isto seja dos aspetos mais dificeis de evitar, mas é também dos mais importantes. Com ogerir a bolsa de quadros do PS? Como identificar a competência? Como formar?

5) A fraca aposta na regulação sectorial, deixando rolar sem conferir poderes e aumentar o grau de sindicância desses mesmo reguladores (pelo parlamento) também não me pareceu fiel a quem defende uma economia social de mercado e admitia ir privatizando (exceção para o que se fez no BdP com a supervisão comportamental).

6) A persistente atitude ambivalente face às forças armadas. Foi só mais um governo em que não percebi qual é a política do PS em matéria de defesa nacional.
Estes são alguns dos principais aspetos negativos de que me recordo ao corer da pena. Houve muitos outros positivos que também merecem reflexão, naturalmente e que orgulham o PS.
Partilhas de alguns destes? Muitos permanecem como problemas potenciais. O PS de hoje é para mim ainda pouco claro.

De Valupi a 14.10.2013 às 00:19

Quem deu importância ao género foste tu. Uma importância esquisita, para dizer o mínimo, pois não acredito que não tenhas lido referências ao meu nome Valupi como sendo de um autor masculino. Aliás, bastaria que lesses os meus textos - mas não vejas nisto nenhum convite, apenas remeto para as evidências de uma escrita pública há 8 anos. Também pessoas com quem dialogas todos os dias, e com quem já privei, sempre se referiram a mim com a máxima clareza no que ao género diz respeito. Portanto, a haver um qualquer problema na origem do teu remoque, estará contigo.

Quanto às tuas críticas, agradeço o exercício. É que apenas a curiosidade me motivava quando te interpelei, dado que partilho do lamento acerca da falta de balanço no PS (mas também na sociedade e até na academia) da governação socrática - por todas as razões que decorrem da aprendizagem inerente e por causa do aproveitamento difamatório, calunioso e demagógico que a direita fez e faz desse período. Assim, o que apontas poderão ser excelentes tópicos de investigação e debate, apenas sendo necessário ter presentes os responsáveis políticos em causa para estes darem a sua versão dos acontecimentos e preencherem lacunas de informação que quem está fora do Governo não tem normalmente ou nem pode de todo alcançar por não ter passado pelos processos decisórios.

Apenas te aponto uma curiosa falha. Em lado nenhum contextualizas as decisões e omissões do Governo de Sócrates com a situação de minoria a partir de Setembro de 2009 e com a decisão abrupta na Europa de se entrar numa súbita e radical austeridade a partir de meados de 2010 depois de um 2009 dedicado ao investimento urgente. São dois factores sistémicos, os quais introduziram disfunções e perversões no exercício da governação.

De Rui Cerdeira Branco a 14.10.2013 às 01:07

É verdade que se referiam ao Valupi mas como desconhecia que te conheciam... Procurei respeitar as hiótese habituais, dada a minha ignorância. Adiante...

Quanto ao resto de acordo com tudo com exceção de que não vejo curiosidade nenhuma na "falha".
A falha de contextualização não é só a que apontas. Haverá outras. Aliás, não incluo aqui mais algumas críticas porque entretanto tive a felicidade de poder contextualizá-las ouvindo alguns dos protagonistas. Mas mesmo essas deveriam fazer parte da conversa, precisamente para que houvesse essa oportunidade de defesa/informação.
Infelizmente temo que seja uma conversa que já tenha perdido o seu tempo ótimo para ocorrer. Vamos ver o que se fará com o desenho do novo programa de governo do PS.

De Rui Cerdeira Branco a 13.10.2013 às 23:01

Falam-me, por exemplo, do exemplo do PSOE que terá feito uma reflexão muito profunda e intelectualmente muito bem acompanhada da sua governação. Procurando o que se fez bem e o que se fez mal. Por ventura o(a) Valupi tem conhecimento de algum detalhe sobre essa iniciativa? Chegaram-me alguns ecos que com as devidas distâncias e singularidades nacionais poderia ter por cá um paralelo credibilizador:
l PSOE se plantea la pregunta “¿Qué no hicimos bien?”. Y en su respuesta concreta cuatro cosas: “a) Hubiera sido deseable anticipar una progresiva y controlada reducción de los desequilibrios que estaba produciendo la burbuja inmobiliaria. b) Debimos profundizar en el reparto equitativo de los esfuerzos ante la crisis. Quizás faltaron reformas fiscales y actuaciones ejemplarizantes en el ámbito de la responsabilización de la crisis y en la persecución de actuaciones intolerables en el ámbito financiero (indemnizaciones, blindajes, etc.). c) Debimos haber acelerado el proceso de saneamiento del sistema financiero, exigir más transparencia y mejor gobernanza a sus gestores. d) No dimos una explicación pública convincente de la reforma de la Constitución que consagró la regla de la estabilidad fiscal con el fin de transmitir seguridad y solvencia a tenedores de la deuda española”.

De Valupi a 13.10.2013 às 23:07

Devo então dar por encerrada a minha curiosidade, visto que te recusas a falar dos erros de Sócrates e sus muchachos, é isso?

De Rui Cerdeira Branco a 13.10.2013 às 23:43

Vê um comentário que acrescentei na tua entrada anterior.

De Anónimo a 13.10.2013 às 23:03

Lendo o seu comentário com atenção, eu que não sou militante do PS, nem tenho nenhuma informação do interior do PS, confio e sinto num partido coeso e forte o maior esteio da democracia circulo por aí em blogs e cx de comentário. Já vivi muito, sei ligar pontas soltas no que vou lendo e tenho acerca do tema uma visão muito mais cínica desencantada da guerrilha, repito guerrilha que grassa dentro do PS. De quando em quando submerge, mas vai tendo sempre qq coisa à tona de água. Tenho alguma inibição de falar claro aqui mas o que fazer é expor algumas interrogações:
- Porque é que desde sempre, antes ainda de ser SG, AJS tinha uma corte inimigos internos, que acentuavam a sua sonsice, falta de determinação e moralismo. E no entanto nenhum desses avançou? Críticas, do tipo, não defendeu o legado de JS, candidatou-se com propostas de transparência e moralização, pertence ao clube do Cavaco quanto a falso moralismo. Li um pouco de tudo isto por aí.
- Porque é que, quando era sabido que em termos estatutários haveria um congresso 2 anos depois de 07/2011, e eleições autárquicas 09/2013 e tendo-se iniciado em 12/2012 as listas de candidatos, subitamente em fins 01/2013 (quem levantou o problema?) veio a exigência dum congresso antes das autárquicas? O empurrão ao "escolhido" para enfrentar AJS? O que aconteceu todos vimos. O escolhido recuou ( há dias fiquei esclarecida porquê), mas eu acho que tem uma pista própria, é sério e decente.
- Alguém acredita que JS não tem ambições de voltar rapidamente à vida política? Que cargo aponta e para quando? Qualquer um EGO menos hipertrofiado sabia que 2015 é cedo muito cedo, não para JS. Então 2015+5=2020+5= 2025 é muito tempo para tanta ansiedade e sede de protagonismo. O que fazer para viabilizar 2015? Afastar AJS que não dá garantias de um PS domesticado. Certo? Desgastar, ameaçar com o "escolhido" muito melhor do que AJS. Tens que ganhar eleições. Fixaste um objectivo precário. Não prestas és inseguro. Convergem com a direita + reacionária na fragilização do PS via SGERAL.
- Como explicar aquela acusação de não unir o grupo parlamentar, e na recente eleição da direcção da bancada, as faltas e abstenções serem tantas? Quase tantas como as que teve Zorrinho?
- Como explicar que o que ficou conhecido como o clone de JS ter uma página de facebook, com a foto e NOME CANDIDATO A PM? Durante a pré campanha e campanha eleitoral todos os dias na página pessoal de AJS apareciam comentários com link para a dita página. Segui o link e escrevi com comentário desagradável, e acho que não fui a única. Apagado e inibição de escrever. O que é isto?
O problema é muito mais sério do que RCB vê. JS não está a defender-se, está a atacar. Agora talvez haja + cuidado, mas atenha atenção. Já vi por aí alguns idiotas úteis a propor o "escolhido" a PM e JS a PR. Lindo e limpinho.. Amam tanto o PS e o socialismo.. Por estas é que resisti aos ataques de me inscrever e sempre nos momentos mais difíceis. É a vida. Acho que deve apagar este post depois de o ler..

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