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07
Out

Mon Cher Cherne

por David Crisóstomo

O senhor presidente da Comissão Europeia está preocupado. Está temente, tremido, desconfiado de coisas que se passam em Portugal. Passam-se coisas que, aos olhos do senhor presidente da Comissão Europeia, não se deviam passar. Luxos, desvarios, irresponsabilidades. O senhor presidente da Comissão Europeia acha que isso não dá, não pode ser, nem pensar. E como tal decidiu desabafar connosco, os portugueses que outrora governou:


Cenários à parte, quando questionado sobre se o Tribunal Constitucional deveria ter em conta a necessidade de cumprimento do programa do ajustamento, Barroso disse que: "Portugal tem de fazer um esforço para cumprir o programa como Estado. Não é só o Governo são todos os órgãos de soberania [...] o que inclui os tribunais".

 

Resumindo e concluindo: o senhor presidente da Comissão Europeia, figura com a maior legitimidade democrática da galáxia para pregar sermões, diz que isto is not going very well. Que há coisas, cenas, gentes que estão atrapalhar um processo que pugna pelo brilhantismo brilhante e pelo rigor rigoroso. E, portanto, sublinha aos papalvos dos juízes do Tribunal Constitucional o seguinte: minhas criaturas, parem de atrapalhar o ajustamento, que estamos a tentar ajustar a nação e vossas excelências, chatarronas, não estão bem a ver o cenário. Os senhores juízes, do Tribunal Constitucional e de todas as outras terras deste condado português, têm que cumprir o programa de ajustamento. Já os técnicos troikanos o sublinharam. Lixem-se as leis, lixe-se a Constituição, lixe-se o Estado de Direito, a Comissão Europeia só está cá para vos aturar se o programinha de ajustamento for cumprido por todos os órgãos de soberania. Todos. Viola-se a lei e a Constituição? Olha, chapéu.

O senhor presidente da Comissão Europeia avisou-nos. Considerem-se avisados. Há alturas em que temos que pôr de lado a lei e a Constituição e concentrarmos-nos noutras conveniências. C'est la vie. E, como deixou claríssimo o senhor presidente da Comissão Europeia, isto aplica-se a todos. Incluindo a otários. Tipo este daqui:

 

 

"Quero dizer-lhe que, por isso mesmo, estamos disponíveis para discutir, em concreto, as medidas que sugere, dentro do princípio geral de conciliação entre o interesse essencial de segurança e o respeito escrupuloso pela liberdade, o que deve fazer-se no respeito absoluto da lei e da Constituição. Nada autoriza a violação da lei e da Constituição. Não há qualquer conveniência que o autorize!"

31/10/2001


Há otários para qualquer conveniência

 

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