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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

24
Set13

Um homem singular

David Crisóstomo

Um dia vão escrever um livro. Um Nobel. Um best seller. Um blockbuster, quando for adaptado a filme. Quiçá vença um Óscar, quiçá vença um Razzie. Mas no dia em que alguém se der ao trabalho de registar para posterioridade o relato histórico da segunda metade da 1ª década e da 1ª metade da segunda década deste nosso século aqui no luso quintal, essa meticulosa pessoa terá que queimar umas pestanas no retrato que fará de Marco António Costa. Pode dedicar umas boas linhas às cusquices do Marques Mendes, registar todas as metáforas coloquiais do camarada Jerónimo ou reflectir sobre a importância de o man dos mercados se chamar Moedas. Mas a personagem do ex-vereador da poupadinha Câmara de Vila Nova de Gaia terá que ter um desenvolvimento à maneira. Pois tão rica é a natureza do ser, que é mais que natural que se lhe faça justiça e se sublinhe o seu papel omnipresente em todo este período. Swaps à parte, o momento até à data de maior valimento foi sem dúvida a célebre noite de 4 de Março de 2011. Nessa fatídica soirée, na paróquia da Nossa Senhora da Lapa, reuniu-se a Escola de Sagres dos tempos modernos que é a Comissão Política Permanente do PSD, onde sua excelência, o cônsul honorário da Bielorrússia (o Miguel tem grandes leitores), declamou a mais gloriosa e patriótica das proclamações: "Ou há já eleições para primeiro-ministro, ou, o mais provável, é termos eleições para a presidência do PSD". O Pedro, pai e cidadão, não terá pensado duas vezes. Ao eloquente rol de falas que o tão brilhante Marco terá nessa futura ccolectânea de factos históricos, juntou-se anteontem, proferida em Santa Comba Dão, uma outra particularmente iluminada: "Para o porta-voz do PSD, é “desejável” que a oposição seja capaz de “garantir o mínimo de cordialidade”, lembrando ter sido responsável por em Maio de 2011 ter “atirado o país ao chão” por culpa de um “conjunto de erros governativos e opções erradas”." Pois bem nobre povo, nação valente e cidadãos piegas desta terra, aguardemos que os historiadores descrevam condignamente este nosso pensador contemporâneo. Com o brio que ele bem merece. E que o Justin Bieber ganhe o Globo de Ouro para melhor actor. Com tanta complexidade mental, Marco António Costa não será uma figura fácil de encarnar. Os biltres nunca o são.

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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