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O Ministro da Educação e Ciência Nuno Crato e o Secretário de Estado do Ensino Superior José Ferreira Gomes começaram a ouvir as instituições de ensino superior, no sentido de discutir a organização da rede de ensino superior. Nuno Crato, no seguimento dos resultados da primeira fase de acesso ao ensino superior, terá afirmado aos órgãos de comunicação social:

 

«É necessário uma reestruturação da rede, que tem de ser feita em colaboração com as instituições de ensino superior. Existem cursos que não têm procura e as instituições têm de se adaptar a isso. Uma das medidas que estamos a tomar, e que será útil para os politécnicos, é a criação dos cursos superiores especializados que vão corresponder a uma das necessidades de Portugal, que são técnicos superiores médios.»

 

É do mais puro bom senso, reorganizar a rede de ensino superior, só não se compreende que Crato e companhia queiram resolver o problema da oferta formativa e da escassez de procura por determinados ciclos de estudos ou instituições, reduzindo a qualidade da oferta formativa (criando os tais cursos superiores especializados) e suportando-se, quase unicamente, nos dados do acesso ao ensino superior.

 

 

Neste aspeto, saliente-se que será impossível de suportar a suposta vontade política do executivo em reindustrializar o país, de apostar no setor primário e de querer criar um ambiente propício à iniciativa empresarial e à I&D+i. É que baseando-nos nos dados da primeira fase de acesso do concurso nacional deste ano:

- A área da agricultura, silvicultura e pescas é a que tem menor taxa de ocupação de vagas e é a quarta com menor número de colocados.

- As indústrias transformadoras apresentam a terceira pior taxa e é a quinta área com menor número de colocados.

- A informática tem uma taxa de colocados inferior a 50%.

- A área das ciências empresariais é a segunda com mais vagas sobrantes.

 

Depois existem, por exemplo, compromissos internacionais a assumir como a estratégia Europa 2020, em que Portugal se comprometeu com o objetivo de alcançar a meta de 40% de graduados entre os 30 e os 34 anos. A estratégia de Crato assenta, na verdade, na redução ao invés da reorientação e reorganização formativa. Adicionalmente, importa frisar que tal estratégia não pode ser assumida sem uma concertação interministerial e um amplo debate aberto à opinião pública, em que envolva, no mínimo, o poder político local e regional, estudantes, investigadores, docentes e gestores do ensino superior e do sistema científico e tecnológico.

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