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01
Set

Para que serve esta merda?

por David Crisóstomo

Para que serve um Governo? Para que serve o Programa de Governo? Para que serve a Demissão do Governo? Para que servem os tribunais? Para que serve a sua independência? Para que serve o Supremo Tribunal de Justiça? E os tribunais administrativos e fiscais? Para que serve o Tribunal de Contas? E o Tribunal Constitucional? O Ministério Público? A Procuradoria-Geral da República? Qual a utilidade das Regiões Autónomas? Dos Governo Regionais e das Assembleias Legislativas Regionais? Para que servem as autarquias? As freguesias? Os municípios? As assembleias autárquicas? De que nos servem as Forças Armadas? E a Assembleia da República, serve para quê? Os deputados? Para que serve a sua eleição? A iniciativa da lei e do Referendo? O direito de petição? E o Presidente da República, de que nos serve? Melhor, para que servem os Órgãos de Soberania? Para que serve o Principio da Separação e da Independência? Os partidos políticos servem para quê? Para que serve o Orçamento de Estado? E o Banco de Portugal? Para que serve a liberdade de iniciativa e de organização empresarial? E o direito à propriedade privada? Para que servem os sindicatos?  E o direito à greve, já agora? Para que raio serve o direito ao Ensino? O direito à Cultura? A proibição do trabalho de menores em idade escolar? O direito ao Ambiente? O direito à protecção da Saúde? A garantia de acesso a todos os cidadãos independentemente da sua condição económica, aos cuidados de medicina? E o direito à Segurança Social, para que serve? Qual a utilidade da proibição dos despedimentos sem justa causa ou por motivos políticos ou ideológicos? Para que serve o direito de todos os cidadãos maiores de 18 anos ao sufrágio? Para que serve a liberdade de associação? O direito de reunião ou de manifestação? Para que serve a liberdade de criação intelectual, artística e cientifica? Para que servem as garantias de que o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, politicas, ideológicas ou religiosas? A garantia da não confessionalidade do ensino? De que nos serve o direito à liberdade de consciência, de religião e de culto? Para que serve a separação do Estado e das comunidades religiosas? Qual é a utilidade da liberdade de imprensa? Para que raio serve a liberdade de expressão? E o direito à constituição de família? Para que servem as garantias do processo criminal, como a garantia de defesa ou a presunção de inocência? A garantia de que ninguém pode ser sentenciado criminalmente senão em virtude de lei anterior que declare punível a acção ou omissão? Mas para que serve o direito à liberdade? E o direito à segurança? O direito à integridade moral e física serve para quê mesmo? A garantia de que ninguém pode ser submetido à tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos tem alguma utilidade? Para que serve proibição da pena de morte? Para que serve o direito à vida? De que nos serve o principio da universalidade? A garantia de que todos os cidadãos são iguais perante a lei? A garantia de que ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções politicas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual? Para que serve a definição de que a República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa?


O senhor Primeiro-ministro não sabe bem. Ignora ou quer ignorar. Acha que, para uma parte dos cidadãos portugueses, isto que aqui disponho não serve para nada. Que todos estes direitos, definições e garantias são inúteis. Que são desprezáveis. E tudo isto, senhores, é, de forma sucinta, a Constituição da República Portuguesa.


Numa tentativa de responder directamente à iluminada dúvida do senhor Primeiro-ministro, ou seja, "O que é que a Constituição fez pelos 900 mil desempregados?", remeto-o deste modo para um artigo da lei fundamental do país que governa:

 Artigo 59.º

(Direitos dos trabalhadores)

  1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito: 
    • e) À assistência material, quando involuntariamente se encontrem em situação de desemprego;

 

Já fez mais que o XIX Governo Constitucional. 

 

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21 comentários

De Miguel a 01.09.2013 às 20:36

Tenho andando á procura e não encontro... o primeiro ministor quando toma posse, jura cumprir a constituição ou é so o presidente?

Se alguem souber, agradeço.

melhor ainda era um linkzinho para a declaração que eles faem quando tomam posse...

Obrgado,
Miguel

De Rui Cerdeira Branco a 01.09.2013 às 22:41

O juramento creio ser este:
"Eu abaixo- assinado declaro por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas"
O que nos leva às funções confiadas. Quais serão? Onde são explicitadas? Na Constituição da República Portuguesa. Ver artº 201º por exemplo.

De Anónimo a 03.09.2013 às 09:02

Artigo 3 http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx#art3

De pedro a 02.09.2013 às 09:52


Essa merda não serve mesmo para nada.

http://oinsurgente.org/2013/08/30/e-ja-que-se-fala-em-inconstitucionalidade/

De Cláudio Carvalho a 02.09.2013 às 11:49

Pode parecer básico - mas infrutífero - explicar-lhe mas a emissão de dívida é um mecanismo para garantir esta disposição constitucional.


De pedro a 02.09.2013 às 12:29

Nao me diga?

Boa sorte por esse lados. LOL

De Anónimo a 02.09.2013 às 11:34

De que serviu o governo aos 900.00 desempregados?

Bem, na verdade serviu para aumentar este número. Muito útil

De PSDmeltdown a 02.09.2013 às 12:19

Para que não caia em esquecimento, aqui fica a iluminada dúvida do Sr. PM e os aplausos que lhe seguiram.

https://www.youtube.com/watch?v=jth92HL9L9k

De Olinda a 02.09.2013 às 14:01

a merda costuma fazer crescer - mas não o desespero. até isto é ineditamente malina.

De Lutz a 02.09.2013 às 14:30

Muit bom post, Rui!
Abraço,

De Lutz a 02.09.2013 às 14:32

Peço desculpa, David Crisóstomo! Enganei-me no autor do post, mas não no elogio!
Lutz Brückelmann

De David Crisóstomo a 02.09.2013 às 16:20

À vontade Lutz. Também recomendo vivamente a leitura da posta do Rui: http://365forte.blogs.sapo.pt/106973.html

De Victor Moita a 02.09.2013 às 20:01

Na política e nos políticos, a boçalidade deixou de ser um deslize de falta de educação e de formação pessoal, … de falta de cultura … por vezes de falta de ética!
Tornou-se uma expressão doentia, isto é, imoral ou patológica! … Sintoma de comportamento desviante … de perturbação comportamental ou de carácter.
É, assim, caso de polícia e tribunal, ou de clínica mental (psicológica ou psiquiátrica).
No limite, já se tornou uma questão de saúde (mental) pública … e de higiene ambiental! …
Será preciso pedir aos políticos que, depois de evacuarem este tipo de dejectos, puxem o autoclismo?!

De carol a 03.09.2013 às 15:43

Que maravilha de texto! E para que serve a merda do "governo" que temos? Para destruir o país e tudo o que se fez nos últimos 38 anos. Para se vingarem do 25 de Abril! Apenas isso!

Graça

De campus a 06.09.2013 às 22:41

Para que serve este texto ?

De Viriato a 14.09.2013 às 18:43

Este texto serve para afirmar que ainda há em Portugal gente que pensa e que questiona a imbecilidade dos governantes, dos seus seguidores, e para responder a quem faz perguntas como a sua. Porque se você, "campus", pensa que vai ficar com um país todo catita daqui para a frente, sente-se e espere, que vai ter uma grande surpresa. É por existir gente assim como você, que questiona o trabalho cogitativo de quem, como o David, tenta abrir os olhos a quem os tem fechados, que são necessários estes textos. Se não gosta, resigne-se à sua estulta existência, e cale-se, porque quem questiona um texto destes e vive em Portugal não tem direito sequer a abrir a boca. Fui claro sobre para que serve o texto?

De campus a 16.09.2013 às 10:38

Não sabia que era advogado do David. Claro que em Portugal há gente que pensa, ou não reparou que correram com o aldrabão ? Quanto ter um um País catita, da maneira que o entregaram na bancarrota, vai ser difícil é certo mas acredito que os portugueses consigam. O David só abre o olho a quem como voçê os tem fechados. Finalmente compreendo que goste de censura, fica bem com o seu pensamento.

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