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28
Ago

Gente séria é outra coisa (II)

por David Crisóstomo

Caro co-cidadão, nem sabe, evoluímos muito nos últimos anos. Lembra-se dos tempos em que deputados (e actuais Secretários de Estado do nosso sapiente governo) se referiam à campanha eleitoral do PSD como 'A Verdade'? Foram tempos decisivos

 

"Com efeito, a política só tem sentido com valores. E hoje a reafirmação de alguns destes valores é indispensável no nosso País – valores como a Verdade quando se fala aos Portugueses, a Seriedade do discurso e dos argumentos políticos, o Realismo das propostas, a Responsabilidade na actuação e nos caminhos assumidos e o sentido de Compromisso com o Futuro, com as gerações de Portugueses que nos virão a suceder."

"Defendemos uma Política de Verdade, e estamos convictos de que só assim combateremos eficazmente a crise e transformaremos Portugal."

 

(os bolds são lá deles, que eu não ponho bolds em lado nenhum)

 

Pois bem caro co-cidadão, depois de o senhor Primeiro-ministro ter ludibriado os portugueses em campanha eleitoral, depois de Miguel Relvas ter ameaçado jornalistas e mentido sobre tudo e mais um par de botas, depois da mui prezada Ministra de Estado e das Finanças ter aldrabado a Assembleia da República, depois do senhor Vice-Primeiro-ministro ter revogado linhas vermelhas irrevogáveis, depois de ter havido Secretários de Estado com Alzheimer, Secretários de Estado que acreditavam que bastava o PSD tomar as rédeas da pátria para a economia florescer e os mercados festejarem, Secretárias de Estado que não eram fãs da austeridade mas que face a um convite para a Defesa Nacional não hesitaram em defendê-la e Secretários de Estado que estão muito preocupados com a sua independência intelectual após umas (divertidas) experiências com a imprensa - depois de tanta honestidade, tomamos hoje conhecimento de um novo momento alto na honrosa governação com que fomos abençoados:

 

"O FMI publicou gráficos para retratar a evolução dos salários em Portugal e defender a importância de mais cortes no sector privado que partem de uma amostra deturpada. Da base de dados usada foram eliminadas milhares de observações que davam conta de um aumento significativo do número de reduções salariais em Portugal no ano passado, sabe o Negócios. Os resultados deste procedimento facilitam a argumentação a favor de mais flexibilidade laboral." 


 "A instituição internacional já sabe do problema com a amostra. E diz ao Negócios que se limitou a usar informação fornecida pelo Executivo. Explicações oficiais ao Governo não foram pedidas, mas o FMI diz que continua a analisar a flexibilidade salarial em Portugal. "



Valeu a pena elegermos a gente séria, não valeu caro co-cidadão?


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