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O Porto, do vinho, do Douro, das pontes, da cultura, da Universidade, da ciência, das pessoas genuínas, não pode dar-se ao luxo de, a 29 de setembro deste ano, ceder à monarquia. Não à monarquia no seu sentido estrito, mas à monarquia dos costumes institucionais, à sua superficialidade e à sua insensibilidade, ao distanciamento entre os neomonarcas e os “plebeus”, à monarquia em benefício dos interesses particulares dos constituintes das elites económicas estabelecidas do município.

Esta pré-campanha eleitoral está, claramente, a ser um autêntico prefácio do que se avizinha para os próximos (pelo menos) quatro anos: isto é, uma segunda edição dos últimos doze. No caminho para a legitimação democrática da “reimplantação” da monarquia, pouco ou nada se avança para lá de vacuidades, não se querendo - naturalmente?! - correr o risco de pisar o “statu quo” autárquico. Deste modo, do pouco que se consegue desvendar das propostas concretas que são de conhecimento público, vemos que se prometem medidas sobre as quais não se tem qualquer influência, outras que constituem um mero aproveitamento de medidas promovidas pela Administração Central e/ou pela União Europeia, outras ainda que vão no sentido meramente ilusionista, - por exemplo de eliminar a pobreza e a exclusão social através do incentivo (seja por que via se avizinhar) ao assistencialismo - e, finalmente, outras que dificilmente se cumprirão. Paralelamente, manter-se-ão - ouso prever - reivindicações de maior descentralização e autonomia em regime a tempo parcial, em regime de quatro em quatro anos.

Defronte um discurso tão lastimoso quanto cínico e simplista, não raras vezes contraditório e a roçar perigosamente o antidemocrata e, adicionalmente, prometendo-se a continuidade política de uma mão cheia de nada, a resposta portuense só poderá ser com uma insurgência pelo sufrágio contra a transmissão hereditária do regime autárquico. O que se pede, não é menos que «um novo 31 de janeiro».

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