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30
Jan

E recordar é viver

por mariana pessoa

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Rita Marques Guedes já tinha anteriormente trabalhado com Nuno Vasconcellos, líder da Ongoing, grupo ligado a interesses do Banco Espírito Santo, acionista de referência da PT, dono do "Diário Económico" em Portugal e de vários jornais no Brasil.

"No âmbito do Processo Monte Branco, o Ministério Público (DCIAP) tem vindo a realizar várias diligências que culminaram com a detenção de Ricardo Salgado no dia de hoje", diz uma nota da Procuradoria-Geral da República enviada esta manhã às redações.



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O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, acaba de dizer na televisão, que nunca falou sobre o BES em público.

— Diogo Moreira

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Em 25 de Outubro de 2011 o Primeiro-Ministro informou o país de que: “só vamos sair desta situação empobrecendo em termos relativos e mesmo em termos absolutos”. Soou a uma espécie de ameaça. Confirma-se.

 

Em 30 de Janeiro o INE informa que "Com uma linha de pobreza ancorada em 2009, observa-se o aumento da proporção de pessoas em risco de pobreza ao longo dos cinco anos em análise, entre 17,9% em 2009 e 25,9% em 2013.".

 

Mais atingidos? Os jovens e os idosos. No mesmo documento, e sem surpresas, verifica-se ainda:

 

1) Que o risco de pobreza aumentou e as privações materiais também;

 

2) Que a capacidade das prestações sociais de diminuirem o risco de pobreza também diminui;

 

3) Que a desigualdade de distribuição de rendimentos aumentou qualquer que seja o método de medição utilizado.

 

Isto diz uma e uma só coisa: empobrecemos mas não todos por igual. Quem mais sofreu foi quem menos pode. O que já seria discutível se os resultados tivessem sido os prometidos. Não foram. Pedimos aos mais desprotegidos da nossa sociedade sacríficios intoleráveis em nome de um el dorado que não existe.

 

Isto são dados, o resto é spin.

 

Nota: Este é o meu post de estreia. Estou simultaneamente lisonjeado pelo convite e receoso pela sensatez do colectivo por me ter acolhido. Mas já está, já está, agora tenham paciência.

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29
Jan

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, disse que Portugal é a formiga e a Grécia a cigarra. Presumo que o Ministro procure aludir à moral usual dessa fábula que apenas com trabalho árduo poderemos estar protegidos no futuro.

 

Por ora vamos deixar de lado que é indigno um Ministro referir-se nestes termos a um país aliado, parceiro na União Europeia. Vamos deixar de lado que a alegação que os gregos não trabalham (à moda do José Rodrigues dos Santos) carece de fundamento e que as factos apontam que estes são os que na UE trabalham mais horas a par dos romenos. Vamos deixar de lado que temos um Primeiro-Ministro que apelida o programa eleitoral de um governo estrangeiro como "conto de crianças", mas que ao mesmo tempo tem um membro do governo que ele lidera que reduz a crise europeia a um conto de crianças.

 

Imagine-se que tudo isto era verdade e que Portugal era mesma a formiga e a Grécia a cigarra.

 

Na fábula que eu conheço a Formiga com compaixão acaba a ajudar a Cigarra, dando-lhe alojamento e comida, e como resultado a Cigarra sobrevive ao inverno -  desfecho que parece contradizer a moral que costuma culminar a história*.

 

Por essa razão sempre extraí desta fábula uma outra moral segundo a qual uma sociedade justa, na sociedade em que eu quero viver, não excluí os mais desfavorecidos, mesmo que estes tenham cometido erros; nenhum erro, por mais grave que seja, se sobrepõe à dignidade da pessoa humana. Nenhum erro pode condenar à penúria e à miséria uma população inteira.

 

Infelizmente, os nossos governantes continuam sem perceber os contos de crianças.

 

* No original do Esopo não existe qualquer contradição uma vez que Formiga não ajuda a Cigarra.

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27
Jan

Sinais dos Tempos

por Diogo Moreira
É nas mãos de um dito “radical” de esquerda, que os povos europeus depositam as suas esperanças para um futuro que não seja tão miserável como o presente tem sido. 

Por muito que se queira dar cambalhotas, utilizar frases mais ou bem conseguidas, ou simplesmente se queira apagar o passado recente, é indisfarçável que os partidos de centro-esquerda falharam, quando os europeus mais precisavam deles. A “Terceira Via” foi a porta de entrada para o Neoliberalismo se tornar a ideologia predominante em todos aqueles que se ambicionavam meros tecnocratas, esquecendo que na raiz de todas as decisões políticas, sem excepção, está a ideologia. Ao abraçar acriticamente a ideologia dos que defendem a “lei da selva social”, enganados que estejam sobre os seus resultados na produção de uma sociedade mais justa e solidária, os sociais-democratas esqueceram-se de onde vieram, e do que os fez chegarem aonde estão. 

Ao apelidar Tsipras, ou o Syriza, de “radicais”, ou ainda mais hilariante, chamar os Independentistas Gregos de extrema-direita, o actual “centro” político está a reagir da mesma forma que as sociedades conservadoras do séc XIX reagiam à ascensão do centro-esquerda. Foi graças a esses “radicais” do passado, que muitos de nós podem viver em sociedades mais justas, e mais prósperas. Um caminho tortuoso, sem duvida. Mas que era necessário. 

Também Tsipras, e o Syriza, e todos aqueles que queiram seguir o seu exemplo no combate à austeridade na Europa, são necessários. Espero que consigam convencer o centro-esquerda que o povo, os mais fracos, e oprimidos, e uma sociedade mais justa, são a sua real missão. E não o seguidismo imbecil das imposições neoliberais de uma cambada de lunáticos, que infelizmente ascenderam aos maiores cargos políticos da Europa. 

Senão… bem nem tudo dura para sempre. E em democracia, há sempre alternativas.   O PAZOK que o diga.

— Diogo Moreira

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Os que não alinham na doutrina da austeridade e das alegadas reformas estruturais  são acusados de serem irresponsáveis.

 

Ao contrário, presumo, dos que são nomeados Primeiro-Ministro de um país em tanga, mas que largam tudo para o cargo de Presidente da Comissão Europeia; ou os que que numa altura de crise orçamental auxiliam multinacionais a fugir aos impostos; ou ainda os que numa campanha eleitoral prometem um programa de governo com reserva mental.

 

A responsabilidade não é ortodoxia, nem é seguir o caminho mais percorrido, ou sequer actuar de acordo com o que é expectável. É escolher e aceitar as consequências dessas escolhas.

 

Como escreveu David Foster Wallace: 

“I am now 33 years old, and it feels like much time has passed and is passing faster and faster every day. Day to day I have to make all sorts of choices about what is good and important and fun, and then I have to live with the forfeiture of all the other options those choices foreclose. And I'm starting to see how as time gains momentum my choices will narrow and their foreclosures multiply exponentially until I arrive at some point on some branch of all life's sumptuous branching complexity at which I am finally locked in and stuck on one path and time speeds me through stages of stasis and atrophy and decay until I go down for the third time, all struggle for naught, drowned by time. It is dreadful. But since it's my own choices that'll lock me in, it seems unavoidable - if I want to be any kind of grownup, I have to make choices and regret foreclosures and try to live with them.”

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25
Jan

Demokratia

por Sérgio Lavos

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Ao fim de sete anos de crise e seis de políticas de austeridade, continua a ser extraordinário como a direita europeia continua a achar que os povos dos países "resgatados" irão aceitar sem bulir o sofrimento que lhes tem sido imposto, aceitar que sejam governados por quem não está com eles, por eles. Achava isso, e continua a achar, e tudo indica que continuará nos próximos tempos. Este inacreditável estado de negação trouxe a ruína e a pobreza a Portugal, a Irlanda, a Espanha, a Chipre e espalhou desemprego e perda de rendimento por vários outros países que não chegaram a ser resgatados. E a Grécia, a cobaia desta violenta experiência de redimensionamento da base fundadora da União Europeia - o Estado Social - foi o país que mais sofreu, desde o início. Sofreu com 27% de desemprego, com a pobreza extrema de milhões, com o fim de muitos apoios estatais a quem perdeu o emprego, e sofreu sobretudo no espírito, na alma, uma terrível humilhação, infligida pelos países do Norte; a Grécia teria de ser o poster boy da maior transferência de rendimento do trabalho para o capital depois da Segunda Guerra Mundial (transferência também conhecida por "austeridade" ou ainda por esse infame eufemismo, "reformas estruturais"). A direita que governa a Europa decidiu que a crise de 2008 era uma imperdível oportunidade de acabar com o Estado Social, e a Grécia tornou-se o poço sem fundo desta desvairada alucinação que tomou conta dos dirigentes europeus. Agora, seis anos depois, os gregos voltaram a respirar. Voltaram a poder dizer que nenhuma humilhação quebrará o espírito do país onde nasceu a democracia. A democracia foi, e será, a única resposta a dar a uma União Europeia desfigurada, exangue dos seus princípios fundadores, uma União Europeia que tem vivido uma crise de liderança sem precedentes desde a sua fundação - e logo na pior altura possível, a crise de 2008. A democracia, a voz do povo (esse que durante todos estes anos tem suportado um sofrimento apenas comparável a uma guerra ou uma ocupação estrangeira), a democracia seria sempre o único caminho possível. Governar com o povo, para o povo, é por aí. Tão simples, não?

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25
Jan

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passados cinco anos de políticas de austeridade a Grécia conta com uma taxa de desemprego de 25 por cento e o nível de poder compra caiu 1/3.

Os prognósticos mais pessimistas  indicavam que o sistema democrático não iria aguentar a pressão - as manifestações no inicio pareciam sustentar previsão. 

 

O povo grego demonstrou que continua a acreditar no sistema democrático; que as mudanças de políticas se fazem nas urnas. 

 

Deste modo, a vitória do Syriza poderá constituir um espectro brocken: um halo num topo de uma montanha, neste caso Olimpo, e uma sombra que se estende por diversos quilómetros, cobrindo, assim se espera,  toda a Europa.  

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24
Jan

"Politiquice", disse ele

por mariana pessoa

O spin governamental está a fazer o seu trabalho e está a querer passar a mensagem de que a única razão pela qual Portugal poderá beneficiar do quantitative easing do BCE é porque terão (teremos?) défice abaixo dos 3%. 

 

Ver elementos deste governo - eleito como foi - a chamar à colação "politiquice" tem o seu quê de exótico, para dizer o mínimo. Mas de qualquer modo, cá vai:

 

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Facebook João Galamba, 23.01.2015

 

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23
Jan

Era desta forma que um meu professor, na primeira aula da cadeira, descrevia o Direito de Família. Se a sociedade era o mar e o Direito Civil um barco o mastro mais alto era o que primeiro indicava qualquer alteração nas águas e a ela se adaptava de imediato baloiçando de acordo com a ondulação.

Senhor Professor Doutor, informo-o, lá onde estiver, que agora não é assim. As águas baloiçam, os mares mudaram, mas os nossos homens das leis insistem em manter o mastro mais alto firme e hirto como uma barra de ferro, dizem eles que para o salvar, digo eu que assim vai partir não tarda. Leis da física, entendem? 

Ontem o Parlamento voltou a rejeitar a possibilidade de adopção e apadrinhamento civil por casais do mesmo sexo. Parece que estão cheios de boas intenções, querem defender uns direitos quaisquer das crianças e uma noção qualquer de família e estão convencidos, para além de que têm razão, que as tais águas onde navegamos estão serenas e não sentem qualquer alteração. Não percebem que o medo os paralisou e à força de não se mexerem ficaram atolados no lodo e o barco, o nosso, há muito que já navega por longe, noutras águas, já conseguiu cruzar o Cabo Bojador e até já lhe mudou o nome para Boa Esperança.
 
Senhores deputados do não, venham comigo até às águas onde nós, que não os senhores, navegamos, gostava de vos mostrar como é a vida cá fora, onde o mostrengo e os ventos do medo e dos preconceitos já não prendem os pés de ninguém. Vou deixar-vos espreitar o meu mundo, o da Teresa que assina o post lá em cima, porque o meu mundo é deste mundo e devia ser do vosso mundo também.
 
Comecem por conhecer minha avó, a beirã que cresceu embalada no conforto dos teares da fábrica do pai, que já tinha sido do avô, que já tinha sido do bisavô. Tradicionalista, católica, conservadora, que nunca se afastou um milímetro das suas convicções mas que sabia, acima de tudo, o que era uma família, o que era afecto, o que era amor, que via o mastro maior a mexer e baloiçava com ele, e que me amou perdidamente e às minhas filhas mesmo vivendo eu no pecado mortal de nunca me ter casado, mas isso era lá com deus e ela era só uma avó, que entendeu quando as mesas de Natal apareciam com menos um lugar porque um amor tinha acabado e o divórcio tinha sido o mais correcto, que aceitou sem olhares de lado o homem por quem um dos netos se apaixonou e casou porque percebeu isso mesmo, que estavam apaixonados e, mesmo dizendo que esse já não era o tempo dela, o reconheceu como digno, era outra família mas uma família também. 
 
Venham até a uma pequena aldeia do interior algarvio onde as minha filhas, há mais tempo do que aquele em que alguns de vocês sentam o rabo nessas cadeiras que também são nossas, andaram na escola e onde o A., com 9 ou 10 anos, me foi apontado pelos amigos como o menino mais corajoso de todos, o menino que não respondeu à professora que queria ser médico, ou carpinteiro, ou nadador salvador, o menino que se levantou e disse que queria ser menina. O menino mais popular e querido da escola por isso mesmo, por os outros meninos respeitarem e admirarem a coragem dele.
 
Venham comigo ao princípio deste século XXI e assistam ao baptizado das minhas filhas que a minha mãe, pilar da sociedade, exemplo a seguir, católica militante, filha da minha avó, fez questão de organizar e a que, por amor a ela, somos uma família, percebem?,  não me opus porque água na cabeça pode constipar mas não tira bocado e vejam o padrinho de uma delas, uma bichona brasileira maluca, um dia pen friend lá ao longe de uma de nós e quase logo a seguir membro honoris causa da enorme família, tradicional como gostam, vejam-no a subir a nave da igreja matriz, monumento nacional, lugar importante e digno, espectador há séculos da vida de tantas famílias, até daquelas que agora os senhores representam, levando ao colo a minha bébé Down com o seu longo vestido branco bordado a contrastar divinalmente com o fato vermelho brilhante do padrinho,  DKNY sêu padre, gostá?, e as gargalhadas do senhor prior e o sorriso enternecedor de toda a gente. É padrinho católico, ainda bem, não foram feitas perguntas apesar da evidência entrar pelos olhos dentro em tons de vermelho vivo, padrinho civil não pode ser porque agora é casado e os senhores, que deviam ser menos papistas que o papa, não deixam.
 
Venham à minha rua, à rua para onde voltei, à escola das minhas filhas, aos cafés desta cidade pequenina, vulgar, chata. Venham ver como as filhas da F. e da C. são felizes, como não são apedrejadas nos jardins, como são iguais a todas as outras da creche, venham à escola secundária ver os namoros nos mesmos cantos onde também já namorei mas sem que agora a miudagem pare para reparar se é menino ou menina, apesar de repararem, e reclamarem, por outros, quase tão tontos como vocês, lhes terem bloqueado na escola o acesso ao site da Amnistia Internacional por causa de um encontro LGBT.
 
Venham conhecer o antigo director da escola básica, o fabuloso C, cheio de penas e plumas, qual Ney Matogrosso de província, mas respeitado por pais, colegas, funcionários e adorado pelos miúdos.
 
Venham passar o Natal com a minha outra família, a escolhida, onde há irmãos que são irmãos sem o serem, onde nenhum casal tem filhos em comum mas conta os do outro como próprios, onde há ex maridos com as novas mulheres e ex mulheres com os novos maridos e crianças aos pulos e felizes por terem a família junta e onde a M e a P são o casal mais antigo, o sobrevivente às ondas do mar, avós de coração da miudagem toda.
 
Senhores deputados do não, as águas já mexeram há muito, o mastro mais alto do barco abana que se farta e o Direito de Família devia abanar com ele antes que deixe de ser Direito e, muito menos, da família.
 
Em 2007 a minha filha mais nova tinha 10 anos e pouco antes do referendo sobre o aborto telefonou à avó. Explicou-lhe que tinha 10 anos, não a deixavam votar, mas o que ia ser decidido poucos dias depois ia ser muito mais sobre a futura vida dela do que sobre a vida futura ou actual da avó portanto, se não se importasse muito, minha filha é educada senhores deputados, depois disto tudo é-vos estranho, não é?, a avó podia, em sua representação, fazer a cruzinha no quadrado do sim?
 
Senhores deputados do não, o vosso voto também não mexe com a vossa vida mas com a vida de miúdos, talvez de 10 anos, a quem também não deixam votar apesar de serem os principais interessados e que, talvez, não tenham avós para votarem por eles. Nem pais, nem mães, nem provavelmente  ninguém, mas a quem os senhores deputados, com receio de enjoarem com o balanço do barco e fazerem má figura a vomitar na amurada ou serem, medinho, muito, compreendo-vos, atirados borda fora,  se recusam a dar a possibilidade de virem a ter uma família. Será que é preciso dar-lhes o vosso número de telefone para vos poderem fazer o pedido simples que a minha filha fez à avó? 
- Votem por nós, pensem em nós, deixem-nos ter uma família, diferente de todas as outras porque as famílias são todas diferentes, igual a todas as outras porque as famílias são todas iguais, sintam o balanço do mar e olhem para o mastro mais alto do barco sem medo, nós agradecemos.
 
Eu também. 

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