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18
Set

Sem perdão

por Sérgio Lavos

A moda para a nova estação parece ter chegado: pedir desculpa. Dois dias seguidas, dois ministros a pedir perdão pela asneira feita. Isto é novo, neste Governo. O que já conhecíamos eram outras tácticas de diversão, desde negar que se esteja a passar qualquer coisa de errado (o rigoroso Nuno Crato é useiro e vezeiro nisto e Paula Teixeira da Cruz também tentou, durante duas semanas, esta táctica da avestruz), até desvalorizar a dimensão do erro ou das consequências, passando pelo famoso "não me demito" proferido pelo líder da matilha, Passos Coelho, nos idos de Agosto de 2013.

O que poderemos fazer com estes dois pedidos de desculpa? Eu sei onde Crato e Teixeira da Cruz deveriam introduzir tais pedidos, mas isso não é para aqui chamado. A minha questão é outra: o que poderão fazer os principais prejudicados com as decisões dos ministros com o perdão pedido? O que poderão fazer os pais, os alunos e os professores que vão sofrer com a escolha da fórmula errada (o rigoroso matemático Crato ter metido água nesta área é mais do que irónico, é ridículo) no cálculo de colocação de professores? Pior: o que farão os advogados, os réus e os queixosos com as desculpas pedidas por Paula Teixeira da Cruz? O que fará o país com os atrasos nos processos, com a paralisação completa do sistema de justiça, com o regresso ao papel, à caneta, aos faxes e às gravações de julgamentos em cassete (nos tribunais onde ainda estavam guardados os gravadores)? Três anos, diz a ministra, sem sombra de pudor, até novo programa estar pronto. Tudo parado. Desculpas?

Aquilo de que parecem padecer tanto Crato como Teixeira da Cruz é de uma coisa muito simples: sentimento de impunidade (e não tinha sido a ministra a dizer que ela tinha acabado?). Sentem-se, desde o verão passado, desde que Passos Coelho meteu o presidente da República no bolso, livres para fazerem o que quiserem, como quiserem. O pedido de desculpas não tem qualquer valor de verdade, as palavras perderam a sua qualidade performativa. Com erros desta dimensão, o pedido apenas teria valor, seria sentido, se fosse ligado a uma acção: o pedido de demissão. Mas, por falta de estatura e de postura ética dos ministros ou do próprio primeiro-ministro (a ordem deverá ter vindo dele), não há consequência na actuação.

Num país que valorizasse o mérito, os crimes destes dois ministros há muito teriam tido castigo. Crato, por repetição (desde que tomou posse, não há início de ano escolar que corra bem), Paula Teixeira da Cruz, pelo facto de ter deitado abaixo o terceiro pilar da democracia, o poder judicial. Não há mérito neste Governo, nem competência. Apenas um estertor prolongado impulsionado pela inoperância activa do presidente da República e pela apatia generalizada dos portugueses. Tudo se passa, e passará, assim, até às legislativas. E o país a andar para trás. Anos, décadas. O pó das ruínas pairará durante muito tempo.

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18
Set

"As minhas primeiras palavras enquanto presidente do Novo Banco são – como não podia deixar de ser – dirigidas aos colaboradores, ontem numa reunião na Sede e hoje através desta mensagem.

Apesar das questões e dificuldades que todos sabemos existirem, o projeto do Novo Banco assenta na melhor equipa de banca em Portugal. Sei bem do que falo, sobretudo quando, tendo trabalhado na concorrência, me recordo da multiplicidade de clientes e operações perdidas para este banco. Foi convosco que o banco se tornou líder nos principais segmentos de atividade e uma referência na inovação e qualidade de serviço.

O nosso mandato é claro: estamos aqui para recuperar e criar Valor para a nossa instituição e assegurar que voltamos a ocupar a posição de liderança que o mercado nos reconhece, através das competências que nos distinguem: qualidade de serviço e dinâmica comercial, nacional e internacional, sempre apoiadas na eficiência das áreas de suporte. Temos de voltar a captar clientes e a crescer em volume de depósitos e créditos de bom risco. Este é o nosso mandato – e não a discussão permanente sobre o modelo ou a data de venda.

Gostaria de deixar uma palavra de agradecimento ao Dr. Vítor Bento e à sua equipa pelo trabalho efetuado na estabilização do banco. Aos colaboradores do Novo Banco gostaria de deixar claro, em meu nome e em nome dos restantes membros do Conselho de Administração, que podem contar connosco, que saberemos ouvir, trabalhar em equipa e decidir. Conhecemos os desafios e as dificuldades existentes e que não desaparecerão de um dia para o outro. Mas sabemos também que “arregaçar as mangas” e não ficar "de braços cruzados" é a única forma de assegurar o futuro deste banco e dos seus colaboradores.

“Mãos a obra”, que o Novo Banco é essencial para todos nós, para as famílias e empresas do nosso país e para o futuro de Portugal.

 

Eduardo Stock da Cunha

Presidente"

 

É assim mesmo que o novo presidente do Novo Banco se dirige aos colaboradores. Nem bom dia ou caros colaboradores no início da mensagem. Criou, aliás, uma sensação ainda maior de desconfiança dentro da equipa que tanto elogiou - recorrendo até aos tempos em que era concorrência -, já que a ideia que solidifica neste momento na grande maioria dos departamentos é "pensa que está a enganar quem?". A clareza do mandato esconde, no entanto, o objectivo principal: a venda. O sindicato já pediu uma reunião com a nova administração, alegando que a alteração no modelo de desenvolvimento do banco consubstancia a venda imediata. E se todo este processo tem sido péssimo para a imagem da instituição (o BPN tinha 20 anos, mas o BES tem 145), pior ainda tem sido para a confiança interna dos funcionários. Todos os dias há rumores diferentes. Hoje é que quem tem menos de 15 anos de banco vai receber carta de rescisão. Ontem era que quem não tivesse filhos seriam os primeiros a serem despedidos. A verdade é que uma boa parte dos colaboradores (cerca de 1400) pertencem ao denominado ACE (Agrupamento Complementar de Empresas), não sendo por isso considerados bancários.

Entretanto, em reunião do conselho de administração, foram ontem "despachados" os últimos quatro administradores do tempo de Ricardo Salgado que sobreviveram ao Novo Banco. Jorge Martins (Área Comercial Norte); João Freixa (Sul); João Mello Franco (Marketing e Private Banking, que o Jornal de Negócios, citando o Diário Económico, diz que será o substituto de Granadeiro na PT); e Miguel Rio-Tinto (Informática) "tomaram a iniciativa de apresentar o pedido de renúncia aos cargos de membros do Conselho de Administração deste Banco", pode ler-se no comunicado com data de 17 de Setembro.

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Ao ser confrontado com o contraste entre a larga experiência governativa de António Costa e a sua, António José Seguro tem respondido frequentemente aos jornalistas com o exemplo do grupo de trabalho que liderou na bancada socialista dedicado à "reforma do funcionamento da Assembleia da República". Daqui resultou um relatório de 28 de Março de 2007 da autoria do deputado António José Seguro: "Reformar e Modernizar a Assembleia da República para servir melhor as cidadãs, os cidadãos e a democracia”. O relatório versa essencialmente sobre questões como a acessibilidade do trabalho parlamentar, a transparência do funcionamento da Assembleia da República e uma maior eficiência no uso dos recusos que o parlamento tem ao seu dispor. O documento de António José Seguro exigia então faculdades que hoje podemos considerar básicas e fundamentais, como a existência de uma página pessoal para cada deputado, na qual a sua assiduidade ao plenário e as iniciativas por si apresentadas fossem facilmente consultáveis.  

 

Ora bem: das múltiplas recomendações que António José Seguro fez na altura, venho aqui destacar umas que se encontram nas páginas 20, 21 e 22 do relatório. Neste capítulo, António José Seguro debruça-se sobre a questão da composição da Assembleia da República, isto é, sobre o número de deputados que o parlamento português deve ter. E aqui encontramos um António José Seguro diferente daquele nos últimos meses tem gritado por uma redução deputados, diferente daquele que ontem nos quis convencer que um corte de 49 representantes eleitos "visa a abertura do sistema político, o aumento da participação dos portugueses e melhorar o funcionamento do Parlamento". Pois aparentemente, anulado ou não, António José Seguro (à semelhança do seu atual líder da bancada parlamentar e do cabeça-de-lista do PS nas últimas eleições europeias) não pensava assim em 2007:

 

"Apesar do nosso mandato não incluir a apreciação da lei eleitoral e, consequentemente, a natureza e a composição do parlamento português, consideramos oportuno juntar a este Relatório alguns dados estatísticos que auxiliam a enquadrar a questão num ambiente de seriedade política, descontaminado de foros populistas tão em voga."

 

Portanto, o autor da proposta de redução de deputados que terá dado ontem entrada na Assembleia da República acreditava que propostas de reduções de deputados no parlamento português eram algo de "foros populistas tão em voga". E para sustentar esta sua opinião, António José Seguro apresentou um cojunto de gráficos e tabelas com dados de 2005:

 

 

Os dados recolhidos então por António José Seguro revelavam já que em termos de representatividade parlamentar, o parlamento português encontrava-se na média da União Europeia (ainda que na minha opinião, estes dados estejam incompletos por não comteplarem os deputados regionais/estaduais de cada estado-membro). E se quisermos algo mais atual, basta pegar nos dados populacionais do eurostat e nos números de parlamentares de países da UE e obtemos algo assim, tal como fez o Hugo:

 

 

Por fim, António José Seguro acrescentava ainda que "a natureza e a composição do parlamento português devem garantir a expressão do pluralismo partidário, em particular o de menor representação eleitoral e o de todas as regiões do país. A diversidade é essencial à qualidade da democracia."

 

Ontem, na histórica sede do Partido Socialista, em Lisboa, naquele que será provavelmente um dos seus últimos actos públicos enquanto Secretário-Geral do PS, António José Seguro decidiu apresentar aos portugueses a mais recente proposta legislativa da bancada socialista, uma proposta em que ele e a sua direção vinham trabalhando desde finais de 2011: uma redução do número de representantes eleitos da população portuguesa. Uma proposta que reduziria a cerca de uma dezena os parlamentares eleitos à esquerda do PS e diminuiria a representatividade regional de vários distritos do interior do país. Sem quaisquer estudos, pareceres ou discussão interna e já fora do prazo a que se tinha proposto, António José Seguro declarou claramente como interpreta o que é a sua "nova forma de fazer politica" e de que maneira pretende liderar o Partido Socialista e, potencialmente, o país. E demonstrou-nos mais uma vez o quão confiável é a sua palavra. Quem sabe, talvez daqui uns anos já volte a ser contra e apelide de populista esta que será certamente nesta legislatura a mais imbecil e vergonhosa proposta legislativa do PS a dar entrada na Assembleia da República Portuguesa.

 

 

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16
Set

É que é mesmo isto

por David Crisóstomo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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"When I use a word,"Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone,"it means just what I choose it to mean—neither more nor less"

Lewis Carroll

 

Ontem, o Instituto de Equipamentos da Justiça anunciou que estava assegurado o «acesso pleno a todas as funcionalidades da plataforma Citius» para logo a seguir explicarem que 3,5 milhões de processos continuam inacessíveis.

 

Uma excepção de 3,5 milhões de processos pode parecer o contrário do anunciado, mas não evitou que os media, na ânsia do "breaking news", fizessem manchetes com "o Citius em pleno".

 

Paula Teixeira da Cruz já fez tanto spin* que a Justiça está pronta para ir atacar uma piñata com a espada. Hoje voltou à carga e afirmou que o Citius não instalou o caos nos tribunais. Se 20 dias (e a contar) sem tramitação processual não causa caos nos tribunais o que causará? Talvez uma ministra autista, quem sabe.  

 

No fundo, estamos perante a mesma solução que deu tão bons resultados com o BES: divisão em Citius bom e mau. Até podiam usar o mesmo slogan: Citius, um bom começo.

 

*Relativamente ao novo Código do Processo Civil, a Ministra repetiu que a partir daquele momento seria proibida na acção executiva a penhora de um montante igual a um salário mínimo. Na verdade, tal regime já existia no código anterior. 

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15
Set

 

A ler, absolutamente, este post de Nuno Serra (o primeiro de uma série), que desmascara os números do desemprego em Portugal. Já que os media não fazem o seu trabalho, analisando e investigando os números apresentados pelo Governo (assim colaborando activamente numa gigantesca frade estatística montada para servir a narrativa do "milagre económico"), que o façam os economistas independentes e as redes sociais. É a única maneira de furar a barragem de propaganda que nos atinge diariamente.

 

(A ler também os artigos de Mariana Mortágua e Eugénio Rosa, linkados por Nuno Serra.)

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...mas o dever patriótico de Vítor Bento nem a isso chegou:

 

"O convite foi completamente inesperado. Estava fora das minhas conjeturas. Mas foi um dever quase patriótico. (...) Eu tinha a melhor vida possível, liderava uma empresa eficiente, que presta um serviço socialmente útil, era bem pago para o que fazia e tinha tempo e liberdade para uma atividade cívica que prezo muito", afirmou Vitor Bento, em entrevista à SIC.


O que vale é que os homens santos do sector privado mostram ao sector público a etiqueta e boas práticas no domínio empresarial.

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"Caros Colaboradores,

 

 

Entrei no então BES, juntamente com os Drs. José Honório e João Moreira Rato, a 14 de Julho, numa envolvente muito complexa e cheia de incertezas e perante uma situação que se afigurava com um futuro muito difícil, empenhados na recuperação do Banco e do seu prestígio. O que pressupunha, entre outras coisas, um razoável horizonte temporal para o efeito. Era esse o desafio profissional que tinha pela frente.

Como é sabido, as coisas precipitaram-se muito rapidamente e o Banco acabou objeto de uma medida de resolução, que correspondeu ao que as autoridades consideraram ser, dentro das circunstâncias, a que melhor protegeria o Banco, os seus clientes e o seu futuro.

Aceitámos fazer a transição para o novo regime, para assegurar que a mesma não teria nenhum efeito desestabilizador no Banco e no sistema financeiro e porque na altura não era ainda claro que não fosse possível prosseguir o projeto de médio prazo com que iniciáramos esta missão.

A rápida evolução das circunstâncias, e o enquadramento legal da situação do Banco, resultante da medida de resolução, acabaram por mostrar que o desafio profissional que tínhamos pela frente tinha mudado substancialmente.

Durante este período contribuímos para a estabilização do Banco, lançámos, com apoio da McKinsey, a elaboração de um plano de sustentabilidade, pusemos em curso a mudança de marca (por imperativo regulamentar), criámos as condições para a “normalização” do funcionamento interno e externo do Banco, definimos objetivos para o último trimestre e lançámos o processo orçamental para 2015, entre várias outras coisas.

Está praticamente concluído o balanço de abertura do Banco, não auditado, mas que permitirá um diálogo mais sólido com as várias contrapartes dos negócios do Banco e com as agências de rating. E entretanto, foi já encetado um processo para a rápida venda do Banco, gerido pelo Fundo de Resolução e pelo Banco de Portugal.

Por essas razões, entendemos ser agora oportuno passar o testemunho a uma outra equipa de gestão mais alinhada com o projeto escolhido pelo acionista.

A força do Banco e a capacidade de preservar o seu valor reside nos seus colaboradores, como tenho dito várias vezes, e essa mantém-se intacta, pelo que acreditamos que o Novo Banco será sempre uma grande instituição, com gente muito dedicada, clientes leais e uma atividade de negócio que pode dar um importante contributo para a recuperação da economia portuguesa.

O novo CEO é uma pessoa muito experiente no setor e um profissional reconhecido e estou certo de que será o garante da preservação desse valor. Os elementos que o acompanham na renovação da equipa são também profissionais reconhecidamente competentes.

Estou convicto de que esta mudança ocorre no momento mais oportuno para o efeito, e uma vez que estão praticamente resolvidas as questões mais complexas e desgastantes da transição do regime do Banco, será favorável pois que, libertando a nova equipa daquele desgaste, lhe permitirá dar um novo impulso à atividade do Banco.

Agradeço aos meus colegas de Administração e agradeço a todos a colaboração dada nestes tempos difíceis que atravessámos em conjunto e desejo-vos as maiores felicidades.

 

 

Novo Banco, 15 de Setembro de 2014 "

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13
Set

António José Seguro tentou por diversas vezes no segundo debate colar a cuspo Costa à direita e ao Governo. Correu-lhe mal, como é óbvio.

Contudo, e o mais curioso do seu spin cheio de incoerências, é que é ele quem usa as narrativas populistas da direita ao tentar atacar o seu adversário e quem o apoia. São raras as manchetes que o líder em exercício do Partido Socialista faça que não incluam um ataque à imagem e história do seu próprio partido a quem o construiu.

Numas eleições primárias do partido não vale tudo para ganhar votos. O PS nunca teve um líder que denegrisse tanto a sua imagem e fizesse mais oposição para dentro do que para fora como António José Seguro.

O país não pode ter esta vergonha como Primeiro-Ministro.

 

 

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Ele planta sozinho, de mangas arregaçadas, e depois vem o autarca da janela para lhe roubar o socialismo. Isso não se faz a ninguém.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset